{ Trend Week Ser }
- por Andréa

Trend Week Ser mostra a influência do modernismo na arquitetura e no design

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Anualmente, a Trend Week Ser promove palestras, realizadas pela Portobello, que têm como principal objetivo a disseminação de conhecimento e tendências para arquitetos, designers, engenheiros e profissionais da área.

Neste ano, o foco foi na influência do modernismo na arquitetura contemporânea, com o tema “Somos Todos Modernos”.

As palestras foram apresentadas no dia 6 de março na Bienal, em São Paulo, para mais de 800 pessoas, além de terem sido transmitidas via streaming no Youtube. Para saber alguns dos tópicos abordados, leia este post e veja também todo o evento na íntegra.

O ciclo de palestras

O tema do Fórum Somos Todos Modernos foi escolhido devido à importância e à força do modernismo na arquitetura contemporânea.

Para apresentar conceitos e toda a história desse movimento, a TWS 2017 contou com a presença de quatro palestrantes:

  • Florence Cosnefroy, artista e pesquisadora francesa;
  • Guilherme Wisnik, professor da FAU-USP e colunista na Folha de São Paulo;
  • Angelo Bucci, arquiteto e professor da FAU-USP;
  • Gloria Kalil, jornalista e consultora de moda.

Neste post, vamos focar nas apresentações de Florence, que apresentou a trajetória e obra do arquiteto Le Corbusier, e do Guilherme, que destacou a influência que o artista teve na arquitetura moderna no Brasil desde o século XX até hoje.

  1. Florence Cosnefroy

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A primeira palestra foi conduzida pela artista Florence Cosnefroy, para falar sobre o nascimento do modernismo. Para isso, o tema central foi o arquiteto Le Corbusier e a sua percepção cromática.

Quem foi Le Corbusier e a sua obra

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Le Corbusier nasceu na Suíça em 1887 e se formou em curso de Artes. Trabalhou desde 1908 e, nessa época, a luz e a geometria rigorosa (quadrado, esfera e cubo) foram elementos muito importantes em sua obra.

A sua primeira grande obra — Vers une Architeture (Em direção a uma Arquitetura) — foi publicada em 1917 e, segundo Florence, é provavelmente uma das principais razões para que Le Corbusier tenha passado a ganhar reconhecimento. Nela, o principal conceito é o de uma arquitetura simples e branca, em que os materiais venham da indústria.

Em 1927, ele publicou os 5 pontos da arquitetura, que representam a síntese de todos os preceitos que ele aprendeu com os arquitetos modernos no início do século XX. De acordo com Florence, esses são os pontos que todo estudante da área deve aprender:

  • Os pilares: casas devem construídas sobre pilares;
  • A planta livre: que elimina a necessidade de vigas graças ao concreto armado;
  • As janelas em fita;
  • As fachadas livres;
  • O Teto-terraço ou teto-jardim.

Na visão de Le Corbusier, o mobiliário deve ser eliminado, já que sua função seria de apenas de decoração. Em troca, ele fala do uso de equipamento do lar, que deve ser funcional e ergonômico.

Um ponto de grande importância na história do arquiteto foi a Carta de Atenas. Esse tratado teórico, feito em 1933 no IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, sintetiza a sua ideia de que é necessário separar as áreas do cotidiano, trabalho, lazer e usar transporte e infraestrutura para conectar todas elas.

A Carta de Atenas teve grande influência no período pós 2ª Guerra Mundial, já que serviu de inspiração para a construção e reconstrução de muitas cidades depois disso. Como exemplo, Florence destaca Brasília, que seria a personificação e a representação das ideias do tratado.

Le Corbusier e a Cor

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Florence apontou dois momentos distintos na relação de Le Corbusier com a cor:

  1. Uso da cor para esculpir e camuflar espaços

Nos seus primeiros escritos sobre arquitetura, ele não falava em cor, mas sim, da arquitetura branca. Nessa época, ele queria simplificar e se inspirava na luz e iluminação que lembrava de suas viagens.

Após ser apresentado a um círculo de pintores cubistas, como Pablo Picasso e Juan Gris,

ele próprio começa a pintar nesse meio artístico. Nessa época, mesmo que não falasse sobre a cor, ele a utilizou no interior da Maison La Roche Jeanneret, como uma forma de esculpir o espaço.

Foi no entanto, a partir da confiança de um empresário em Le Corbusier, que ele se tornou mais conhecido. Ele leu a obra do arquiteto e pediu a construção de uma pequena cidade com 50 casas para seus funcionários.

Nessa obra, havia a restrição das casas serem muito próximas umas das outras. A partir do uso das cores, alternando casas brancas com coloridas, ele cria uma correção ótica e uma sensação de maior espaço entre as habitações.

  1. A paleta de cores como assinatura do arquiteto

Outro marco na sua relação com a cor foi o contato com um empreendedor fabricante de papel, que ele pediu a Le Corbusier uma coleção de papéis pintados. Ele utiliza essa oportunidade para propor a criação de papéis de parede de cores únicas.

A partir dessa proposta, ele criou uma gama de 43 cores, composta por muitos tons de cinzas diferentes e por cores pastéis.

Essas paletas de cores se tornaram muito importantes e ainda hoje são utilizadas por arquitetos. Ao longo dos anos, elas evoluíram principalmente devido à viagem de Le Corbusier ao Brasil: aos poucos elas deixam de ser utilizadas para camuflagem e esculpimento do espaço, até se tornarem sua assinatura.

  1. Guilherme Wisnik

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A palestra de Guilherme Wisnik teve como foco o modernismo na arquitetura no Brasil, bem como a persistência e a influência do movimento aqui e no mundo. Ele inicia a partir da contextualização e da história de como surgiu o movimento brasileiro, passando pela influência de Le Corbusier no país e no crescimento de Oscar Niemeyer.

O surgimento do movimento modernista no Brasil

Em 1922, surgiu no Brasil o movimento modernista Pau-Brasil. Nele, foi feita uma leitura ambiciosa do futuro país a partir das suas singularidades locais, tendo como base o empréstimo de um legado europeu das vanguardas.

A ideia seria de dar um salto moderno com a indústria nacional. Entretanto, esse era um salto no vazio, porque a sociedade brasileira em si não era moderna.

Na semana de 1922, porém, a arquitetura não foi uma das áreas relevantes. Nessa época, os dois arquitetos que fizeram parte do movimento queriam reinterpretar o passado da arquitetura colonial. Faziam parte de corrente nativista, e não moderna.

Dentro do movimento moderno de 22, havia uma convivência entre vanguarda e identidade nacional. Isso, segundo Guilherme, seria uma das principais explicações para a enorme influência de Le Corbusier no Brasil. Enquanto vários outros modernistas se mostraram muito ortodoxos, o arquiteto se manteve aberto à cultura e às realidades locais.

Em muitos países, o momento de se modernizar coincidiu com o momento de descobrir sua identidade nacional. Por isso, Le Corbusier teria influenciado enormemente tantos lugares, o que nenhum outro arquiteto moderno alcançou.

E essa dupla instalação (modernismo e identidade nacional) é crucial não só no Brasil, mas em toda a América Latina.

O movimento modernista e a chegada de Le Corbusier

Com a chegada de Getúlio Vargas à presidência e instaura, alguns anos depois, o Estado Novo. Isso foi fundamental para o crescimento da arquitetura moderna no Brasil e sua colocação como dominante.

Esse fato histórico também tornou possível que, em 1936, Le Corbusier viesse ao Brasil como convidado para ser consultor de dois projetos: para o Ministério da Educação e Saúde do Rio de Janeiro e para o campus da Universidade do Brasil.

Apesar de um arquiteto neocolonial vencer o concurso para a construção do Ministério, o ministro da cultura da época convence Getúlio Vargas de que o projeto apresentado não seria o ideal para o Estado Novo.

Assim convidam Lúcio Costa para fazer, que reúne todos os arquitetos que haviam participado do concurso e chama Le Corbusier para ser o consultor do grupo e formar arquitetos modernos brasileiros.

Nesse momento, a preocupação de Lúcio Costa não foi construir sua obra, e sim, formar a arquitetura moderna no país. E foi nessa viagem que Le Corbusier consolida sua influência no movimento aqui do Brasil.

A influência de Le Corbusier na obra de Oscar Niemeyer

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Le Corbusier vem ao Brasil duas vezes, além de uma terceira na época da construção de Brasília.

A primeira visita foi em 1929. O Niemeyer, nessa época, era assistente do Lúcio Costa e, quando Le Corbusier chegou ao país, foi responsável por acompanhar o arquiteto suíço.

Antes disso, Lúcio Costa dizia que não via nenhuma aptidão no Niemeyer para arquitetura. Entretanto, depois do contato com Le Corbusier, a sua força de criação veio à tona.

No fim da palestra, na sessão de perguntas, Guilherme Wisnik destacou que a corrente principal que ficou conhecida como arquitetura moderna brasileira foi muito carioca e teve o Oscar Niemeyer como grande protagonista por influência, principalmente, do Lúcio Costa.

Ele também destacou, na sua visão, quais são as obras modernas mais importantes no Brasil:

  • Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro;
  • Conjunto arquitetônico da Pampulha.

A Trend Week Ser 2017

Para saber também sobre as palestras do Angelo Bucci e da Glória Kalil na TWS, e conhecer as principais tendências em revestimentos para este ano, veja também a cobertura completa do Fórum Somos Todos Modernos e da Expo Revestir 2017 no blog da Portobello e da Pointer.  

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